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Pesquisador fala sobre o Radiotube



EPETIC - On line
Eloy Vieira 16/5/2012

http://www.eptic.com.br/eptic_es/interna.php?c=190&ct=1565&o=1

A evolução dos meios de comunicação está imbricada com a evolução da tecnologia ao longo da história. Com o rádio não foi diferente, desde o descobrimento das ondas eletromagnéticas na Inglaterra este meio de comunicação de massa evoluiu bastante.

Ainda no final do século XIX os aparelhos de rádio começaram a ser fabricados em Londres. Anos mais tarde, com a Primeira Guerra Mundial, a produção aumentou e chegou aos EUA, que produziram aparelhos para o uso em campos de batalha. Com o fim dos conflitos, a produção excedente passou a ser comercializada e a primeira antena de radiodifusão para civis foi instalada nos arredores da fábrica da Westinghouse Electric International. Começa a ser gerado o primeiro embrião da rádio comercial.

Aqui no Brasil o rádio enquanto veículo de comunicação de massa só começar a se articular na década de 1920 e deslancha com um modelo comercial na década seguinte com a legalização da publicidade. Nesta época, o rádio passa de um perfil educativo e elitista para firmar-se como um meio popular de comunicação. Com a popularização da televisão, no final da década de 1950, o apogeu do rádio chega ao fim.

Hoje, no país, há uma alta concentração no que tange à produção e distribuição de conteúdo. Fora do circuito comercial, a produção ainda é muito reprimida, seja por parte do Governo Federal - que além de fechar rádios comunitárias, não discute um marco regulatório adequado à democratização dos meios de comunicação - seja pela centralização dos veículos laboratoriais nas reitorias das universidades. Mas há alguns espaços de resistência. A internet vem se mostrando um deles. Em entrevista ao Portal Eptic o professor Marcelo Kischinhevsky (FCS/UFRJ) fala sobre o Radiotube, projeto que pretende fortalecer rádios comunitárias de todo o Brasil através de uma plataforma de rede social na Internet.

Marcelo Kischinhevsky é Jornalista formado pela ECO/UFRJ e professor de Jornalismo na FCS/UERJ, onde coordena o Audiolab.

Eloy Vieira - Como surgiu o interesse de se criar uma rede de rádios comunitárias através da Internet?

Marcelo Kischinhevsky - Sou professor de Jornalismo desde 1995, e lecionei em diversas universidades. O que me levou ao Jornalismo, primeiro às redações e depois à vida acadêmica, foi justamente a perspectiva de atuar de alguma forma na transformação social. O jornalismo comunitário oferece essa possibilidade, estratégica num país como o nosso, em que a indústria da comunicação é altamente concentrada. Atuei na estruturação do movimento de rádios livres nos anos 1980, ainda quando era estudante de Jornalismo na ECO/UFRJ, e sempre fui um apaixonado pelo rádio, acredito que tem potencial de informar e de estabelecer vínculos socioculturais poderosos. Embora tenha ficado muitos anos afastado dessa militância, a aproximação com a radiodifusão comunitária, para mim, foi natural. Quando me tornei professor de radiojornalismo na Faculdade de Comunicação Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (FCS/UERJ) e assumi a coordenação do AudioLab, minha ideia foi tentar construir essa ponte, conectar a perspectiva de formação profissional dos estudantes de Jornalismo com a necessidade das rádios comunitárias, que sofrem com a falta de conteúdo jornalístico independente e acabam, muitas vezes, reproduzindo o noticiário e a programação musical da mídia de referência. 

EV - Como a rede do Radiotube se estrutura hoje?

MK - O AudioLab da FCS/UERJ, que coordeno, é um entre muitos projetos que contribuem para o Radiotube. O Radiotube é um portal colaborativo gerido pela ONG Criar Brasil, um desdobramento do núcleo de rádio do Ibase, do Betinho, surgido lá atrás nos anos 1990. A força do Radiotube é a rede de centenas de emissoras de rádio, a maioria delas comunitárias, que o portal movimenta. Por isso, criamos uma página do AudioLab no Radiotube, para chegar a um grande número de rádios comunitárias com nossas reportagens. Produzimos e postamos mais de 120 áudios até o momento no Radiotube. Esse material tem sido ouvido no site e também baixado gratuitamente para veiculação em ondas hertzianas ou via web. Infelizmente não temos ferramentas para saber quem está usando exatamente cada reportagem ou programa. Gostaríamos de estabelecer laços mais diretos com as emissoras, até para poder dimensionar essa rede de potenciais parceiros.

EV - Quem são os principais parceiros da rede?

MK - O projeto do AudioLab, que tem como eixos a inclusão social e a divulgação científica e tecnológica através do rádio, tem o apoio de duas importantes agências de fomento, a FAPERJ e o CNPq, que viabilizaram a reforma e a modernização do nosso estúdio. Mas espero construir novas parcerias numa segunda etapa do projeto, para ampliar a circulação do material que produzimos, além de oferecer novos tipos de conteúdos, semanais ou mesmo diários.

EV - Qual o papel do Audiolab dentro da construção e manutenção dessa rede?

MK - Creio que o papel mais importante do AudioLab é o de oferecer uma alternativa em termos de fonte de informação para a radiodifusão comunitária. Hoje, a indústria da radiofonia, embora mais pulverizada do que a da TV, está se organizando em torno de grandes redes que repetem programação gerada a partir de três ou quatro capitais e cada vez mais dependentes de rádio-agências, que fornecem conteúdo jornalístico de caráter mais comercial. Esperamos trabalhar outro tipo de questões, que também mobilizam os ouvintes, mas não estão contempladas pelo noticiário das grandes redes, como ciência aplicada ao dia-a-dia, economia popular, educação, cultura, acessibilidade, soluções em transportes etc.

EV - Quais os principais resultados que o trabalho do Radiotube tem alcançado ultimamente?

MK - O AudioLab, nesta primeira fase, tem conseguido atrair a atenção dos demais membros do Radiotube. Uma de nossas reportagens, sobre os riscos da pílula do dia seguinte, foi ouvida mais de mil vezes e teve dezenas de downloads. Esse conteúdo circula, muitas vezes por longo tempo, graças às mídias sociais e serviços de microblogging. Isso não só atende aos objetivos originais do projeto, mas também permite o desenvolvimento de reflexões sobre o rádio expandido, que transborda para além das ondas hertzianas, multiplicando seu alcance via internet. Esta é uma reflexão importante num momento de reconfiguração da indústria da radiodifusão sonora, ainda à espera de uma definição sobre o padrão digital a ser adotado no Brasil. E articula as atividades de sala de aula da graduação com a pesquisa em nível de pós-graduação. Espero que, na segunda etapa do projeto, que se inicia este ano, possamos conseguir novos parceiros e desenvolver parcerias com pesquisadores de outras universidades, interessados no potencial do radiojornalismo comunitário.

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