O DISCURSO: A CONSTRUÇÃO DO ÓDIO

Documentário estreia no Youtube 

“As pessoas não podem achar que podem sair matando só porque você pensa diferente de mim”. A frase é de Pamela Silva, viúva do petista Marcelo Arruda, assassinado no dia da festa de 50 anos, em julho de 2022, em Foz do Iguaçu (PR). O depoimento da viúva e do filho mais velho de Marcelo, Leonardo Arruda, abrem o documentário “O DISCURSO: a construção do ódio”, lançado esta semana no Youtube.

A produção da ONG CRIAR Brasil colheu relatos de outras vítimas da intolerância em quatro estados brasileiros. Entre eles, o de Lola Aronovich, feminista frequentemente atacada de forma machista, o que a levou a ser resguardada pelo Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos; e do ex-entregador de aplicativo Max Santos, agredido a correntadas em São Conrado, Zona Sul do Rio.

“Nem em 50 milhões de anos eu poderia imaginar que ela ia tirar a coleira do cachorro pra me agredir. Eu sou preto, mas não é porque sou preto que vou deixar que as pessoas me humilhem”, afirma Max.

Entre os especialistas que se dedicam ao tema, participam do doc os professores Suzy Santos (UFRJ), João Cezar de Castro Rocha (UERJ); Christian Dunker (USP), Kaline Lima (Unifor), Senilde Guanaes (Unila) e Michel Gherman (UFRJ). Gherman aposta na educação para o enfrentamento da intolerância: “Nós temos que romper com o discurso de ódio e avançar em direção a uma alfabetização antifascista e pró-democrática”, afirma no documentário.

O cientista social Pedro Mourão e a jornalista e pesquisadora Luciana Barreto e também são entrevistados. Luciana alerta: “Ser racista não é ter liberdade de expressão. A sua liberdade de expressão não pode ferir o direito do outro”.

O média metragem aborda a dimensão internacional do discurso de ódio com o professor Teun A.Van Dijk, do Centre of Discourse Studies, de Barcelona.

“O DISCURSO” tem 46 minutos de duração e está disponível no canal do Youtube do CRIAR Brasil (https://www.youtube.com/@CriarBrasil). Abaixo o link da playlist com as versões acessíveis em Libras, com legenda e audiodescrição. 




Estamos no Mapa Brasileiro da Educação Midiática!!!

Aquele e-mail que deixa nossos corações quentinhos: fomos incluídos no Mapa Brasileiro da Educação Midiática, que reúne 226 organizações e iniciativas de todo o Brasil que utilizam a mídia de forma crítica e criativa. No caso do CRIAR Brasil, o combate à desinformação, a defesa dos direitos humanos, a democracia e a cultura estão destacados.

Para além da exposição na plataforma que mostra todos os campos de atuação das iniciativas, a nossa inclusão no mapa também possibilita a conexão com outras organizações, ampliando as iniciativas de educação midiática e abrindo caminhos para descobrir novas linguagens de comunicação.

O Mapa Brasileiro da Educação Midiática é uma iniciativa da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, com apoio do Governo do Reino Unido no Brasil, em parceria com a Porvir e com a cooperação da UNESCO Brasil.

Estamos felizes por estarmos em tão boa companhia, caminhando juntos(as) com entidades que buscam contribuir com a leitura crítica da mídia em tempos de tantos desafios.

Clique aqui e acesse o mapa.




De Agente pra Gente

Comunicação para o enfrentamento das iniquidades e valorização das agentes comunitárias de saúde

O CRIAR Brasil dá início, em 2026, ao projeto De Agente pra Gente, iniciativa de comunicação em saúde que tem como objetivo enfrentar preconceitos de gênero, raça, sexualidade, etarismo e capacitismo vivenciados no cotidiano das agentes comunitárias de saúde (ACS) do estado do Rio de Janeiro, ao mesmo tempo em que promove a valorização social de um trabalho essencial para o cuidado e a vida nas comunidades.

Com atuação em todas as nove regiões de saúde do estado, o projeto parte do reconhecimento de que as agentes comunitárias de saúde, majoritariamente mulheres negras e periféricas, enfrentam, além das desigualdades estruturais da sociedade brasileira, condições precárias de trabalho e baixo reconhecimento institucional e social, apesar do papel estratégico que exercem no Sistema Único de Saúde (SUS).

A proposta aposta na comunicação como ferramenta de transformação social, colocando as próprias agentes no centro de todo o processo: da reflexão coletiva à produção e distribuição dos conteúdos. Entre as ações previstas estão a produção de radionovelas, vídeos curtos para redes sociais, cards informativos e reportagens jornalísticas em vídeo, sempre com protagonismo das agentes comunitárias de saúde. Os materiais abordam tanto o enfrentamento das iniquidades quanto a valorização do trabalho cotidiano realizado nos territórios, dialogando diretamente com outras ACS e com a população em geral.

O De Agente pra Gente é desenvolvido pelo CRIAR Brasil, a partir de edital do Ministério da Saúde – Governo Federal, e está alinhado aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), especialmente aqueles relacionados à igualdade de gênero, redução das desigualdades e promoção da saúde e do bem-estar. Ao fortalecer vozes, compartilhar histórias reais e ampliar o acesso à informação, o projeto contribui para uma comunicação mais democrática, inclusiva e comprometida com os direitos humanos.

Se você é mulher agente comunitária se saúde e deseja participar do projeto, inscreva-se no link https://l1nk.dev/CtjAj 

Acesse o edital aqui.




Se tá combinado, fica muito melhor; se tá combinado, é gostoso demaaaais! 

Neste Dia Internacional de Combate ao HIV/Aids, 1º de dezembro, lançamos a campanha “HIV60+: Mais Vida, Mais Saúde e Mais Prazer”, voltada para homens gays com 60 anos ou mais. Nos últimos anos, os casos nesse grupo aumentaram, e por isso é importante falar sobre prevenção e tratamento com cuidado e clareza.

No card, o combinado é simples: usar camisinha + PrEP ou PEP + fazer o teste regularmente. Esses cuidados ajudam a proteger você e quem você gosta.

HIV é sério, mas hoje tem tratamento gratuito e exclusivo pelo SUS, tem cuidado, tem prazer e tem muita vida pela frente.

Com tudo certinho, dá para viver e aproveitar com muito mais tranquilidade.




O Projeto HIV60+ tomando forma!

No último sábado (4), realizamos, na ABIA, o grupo focal do Projeto HIV60+, cujo objetivo é desenvolver uma campanha de prevenção, adesão ao tratamento e combate ao HIV voltada para homens com 60 anos ou mais.

O encontro foi fundamental para construirmos um projeto realmente alinhado ao nosso público-alvo. Participaram pessoas de diferentes regiões do estado do Rio de Janeiro que, em uma conversa descontraída, contribuíram com percepções e experiências valiosas.

Realizado na Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS (ABIA), o evento inspirou reflexões sobre o passado e o futuro no enfrentamento ao HIV/AIDS.

Em breve, os resultados desse encontro poderão ser vistos em nossas produções, que estarão disponíveis em pontos estratégicos do Rio de Janeiro e nas redes e site do CRIAR.




Condenados. E agora? Direitos humanos para golpistas?

“Preso não tem que ter direito, tem que ter direito nenhum. Não é cidadão mais”. A afirmação, em tom de indignação, foi feita em um programa de entrevista em 2017, o Canal Livre, na Band. O autor do discurso radicalizado foi Jair Messias Bolsonaro, na época deputado federal pelo PSC-RJ. Não se tratou de um deslize que pudesse causar arrependimento. Meses antes, no Programa do Ratinho, no SBT, o político havia afirmado que: “o preso tem que saber que engaiolado, o direito dele é não ter direito”.

Agora, ao ser condenado a 27 anos e três meses de prisão, as falas do ex-presidente reverberam. No decorrer de sua longa carreira política (foram dois anos como vereador no Rio de Janeiro, 27 anos como deputado federal e quatro como presidente da República) Jair Bolsonaro fez do choque causado pelas suas declarações estratégia de garantia de espaço na mídia, de conquista de seguidores e de votos. O discurso de ódio proferido por ele foi normalizado de forma conivente pelos meios de comunicação tradicionais, se amplificou na internet e se tornou oficial durante seu mandato na presidência.  

A amplitude dos alvos de falas intolerantes de Bolsonaro é imensa, mas, neste momento histórico, vale revisitar suas declarações sobre um aspecto específico: os ataques aos direitos humanos, com foco nas políticas de segurança e carcerária. A análise das falas do político em programas de entretenimento e entrevistas na televisão ao longo de 21 anos (1997-2018), percurso percorrido rumo à presidência da República, revela estratégia de desumanização dos acusados de crimes e defesa radicalizada de punitivismo que, se houvesse sido adotado pela legislação brasileira, renderia a Jair Bolsonaro condenado experiências dolorosas.

Ao se referir à população carcerária, o então deputado federal reservava qualificações como “vagabundos”, “marginais”, “elementos”. Mais do que isso, preconizava, como no programa Mariana Godoy Entrevista, da Rede TV!, em 2017: “temos que deixar de dar tratamento humano pra quem não é ser humano”. O político apelava à estigmatização, sugerindo a violência e a eliminação como políticas a serem assumidas pelo Estado para lidar com os suspeitos e condenados. Jair Bolsonaro não utilizou meias-palavras para defender a tortura como método a ser aplicado por agentes de segurança. Em 1999, no programa Câmera Aberta, da Band, afirmava: “pau de arara funciona. Eu sou favorável à tortura, tu sabe disso, e o povo é favorável a isso também”. Em outras oportunidades, como no programa Chega Mais, no SBT, em 2015, reafirmou seu posicionamento: “a diferença entre tratamento enérgico e tortura é muito pequena, então acho que a tortura enquadra-se plenamente aqui na questão do tratamento enérgico”. Sua idolatria pela prática culminou na homenagem ao chefe do DOI-Codi, Centro de repressão da ditadura militar, Carlos Alberto Brilhante Ustra, durante a votação do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, uma de suas vítimas.

A condenação como líder da organização criminosa e por outros cinco crimesocorreu após um processo de mais de quase 600 dias. No decorrer desse período, não houve denúncia de que tenha sido aplicada a receita do político de “tratamento enérgico” ou uso de tortura para facilitar as investigações.

A pena de prisão para Jair Bolsonaro e seus cúmplices está definida. A depender do que sempre defendeu inspirado nas práticas de seu ídolo Ustra, a reclusão seria um período de trabalho escravo e tortura para todos os que organizaram a tentativa de golpe, inclusive os generais. Em 2015, no programa SuperPop, da Rede TV! ,o políticolamentava que no Brasil não houvesse penas mais duras: “você não pode botar uma bola de ferro num vagabundo desse na corrente, né? E botar pra trabalhar, pra carpir, pra fazer seja lá o que for, coisas que você faz nos Estados Unidos”. Em diversas entrevistas, também inspirado pelos Estados Unidos, se declarou a favor da pena de morte, como no Programa do Ratinho, em 2014: “sim, até para diminuir a população carcerária. Uma grande parte desses marginais não tem recuperação”. Em suas declarações, abordava o tema alternando tom de indignação e humor. No Programa do Jô, em 2007, na Globo, arrancou risadas da plateia ao argumentar pela pena de morte: “eu nunca vi um condenado voltar a executar alguém”. E respondeu às gargalhadas ao ser questionado pelo apresentador sobre quem assumiria o papel de carrasco: “posso ser! De graça, de graça!”.

O debate agora diz respeito ao local onde os integrantes do chamado “núcleo crucial” ficarão presos. Com exceção do tenente-coronel Mauro Cid, que teve o benefício de regime aberto em função do acordo de delação premiada, os quatro condenados que fizeram carreira militar poderiam cumprir pena em unidades das Forças Armadas. No entanto, a expectativa é de que a detenção de Jair Bolsonaro, líder da organização criminosa, ocorra numa cela especial da Superintendência da PolíciaFederal ou do Centro Penitenciário da Papuda. Certamente, todos terão tratamento bem diferente daquele que o ex-presidente sempre apoiou, como em sua participação no Programa do Ratinho, em 2014: “lá é local do cara pagar seus pecados e não para viver no spa e vida boa”.

Não saberemos como Jair Bolsonaro e os que atuaram para impor ao país umgolpe de Estado, fracassado não por falta de convicção, mas por incompetência, pagarão seus pecados. Mas deveriam estar aliviados por não estarem sujeitos a serem submetidos à desumanização preconizada ao longo da vida pelo líder da extrema direita. Serão justamente as políticas de direitos humanos, tão atacadas pelos conservadores e classificada por Bolsonaro como “lixo” e “malditas” que os livrarão da tortura e da pena de morte.

Rosangela Fernandes, Coordenadora da ONG CRIAR Brasil e doutora em comunicação pela ECO /UFRJ.




Já está no ar o hotsite do projeto “Na Cadência Carioca: mestres e mestras dos saberes”

A nova plataforma reúne informações sobre a iniciativa do CRIAR Brasil, que também atua no segmento da cultura, e busca valorizar os saberes populares da Grande Tijuca, na Zona Norte do Rio de Janeiro. O projeto dá visibilidade a mestres e mestras que mantêm vivas tradições transmitidas entre gerações, transformam realidades e reafirmam a cultura como espaço de memória, resistência e pertencimento.
No hotsite, o público pode conhecer de perto as cinco manifestações culturais contempladas: a Folia de Reis do Morro da Formiga, o bloco carnavalesco Cometas do Bispo do Turano, o Caxambu do Salgueiro, o Samba da Mangueira e o Samba de Vila Isabel. Também é possível acompanhar a produção dos minidocumentários, podcasts, as apresentações artísticas e o evento de celebração marcado para novembro. O espaço virtual foi criado para registrar trajetórias, compartilhar conteúdos e convidar toda a sociedade a reconhecer a potência da cultura popular carioca.

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“Na Cadência Carioca: mestres e mestras dos saberes”

“Na Cadência Carioca: mestres e mestras dos saberes” é uma iniciativa do CRIAR Brasil voltada a valorizar e dar visibilidade aos saberes populares da Grande Tijuca, na Zona Norte do Rio de Janeiro. O projeto reúne cinco manifestações culturais — Folia de Reis do Morro da Formiga, bloco Cometas do Bispo do Turano, Caxambu do Salgueiro, Samba da Mangueira e Samba de Vila Isabel — e promove registros em minidocumentários e podcasts, apresentações artísticas e um grande evento de celebração. Mais que difundir tradições, a proposta fortalece vínculos comunitários, promove o intercâmbio entre gerações e afirma a cultura como um espaço de memória, resistência e pertencimento.

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Vem novo projeto aí: HIV60+

O combate ao HIV/Aids faz parte da trajetória do CRIAR Brasil. Entre as iniciativas, as radionovelas e curtas produzidos no projeto Microfones Abertos Contra a Aids, que abordaram questões como a gravidez e a importância da PEP e PREP (Profilaxia Pós-Exposição e Pré-exposição); o filme “HIV, H o quê?”, que discutiu preconceitos e estigmas; e o projeto Prevenção em Todas as Ondas, que tratou de HIV/Aids e hepatites virais.

Agora, o CRIAR Brasil dá mais um passo nessa caminhada com o HIV60+, iniciativa voltada para pessoas com 60+, especialmente homens gays com mais de 60 anos. Isso porque, nos últimos dez anos, os casos de HIV em pessoas nessa faixa etária cresceram 441%, enquanto os óbitos por Aids aumentaram 85%. Entre 2012 e 2022, foram notificados mais de 14 mil novos casos de HIV e mais de 25 mil casos de Aids nesse grupo etário.

O HIV60+ nasce para enfrentar esse cenário, promovendo informação e incentivando a testagem rápida de HIV e outras ISTs, divulgando os métodos de prevenção disponíveis no SUS e esclarecendo como funciona o tratamento e a adesão. Tudo isso será feito em uma linguagem simples e conectada ao cotidiano.

A proposta é levar a comunicação para os espaços comumente frequentados, mas não somente, por homens nesta faixa etária, como saunas e bares, além de associações e entidades que tratam da temática, comunidades virtuais e perfis de redes sociais.

O HIV60+ vem porque acredita que há mais vida, mais prazer e mais saúde depois do diagnóstico.




Tuberculose: Informação Salva Vidas

Projeto de formação de agentes multiplicadores de informação sobre a doença que ainda mata cerca 5000 pessoas por ano no Brasil

O enfrentamento à tuberculose no Brasil e no mundo é um grande desafio. Nosso país integra a lista dos trinta países com maior número de casos de tuberculose e concentra um terço de todas as ocorrências da região das Américas. O projeto “Tuberculose: Informação Salva Vidas”, realizado pelo CRIAR Brasil, teve início em 2024, com o apoio da Gerência de Tuberculose da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, onde são registrados 18 mil casos da doença a cada ano, com aproximadamente 800 mortes em território fluminense. Além de colocar o tema em debate, o projeto discute abertamente a tuberculose, com destaque à prevenção e tratamento. 

O objetivo é criar uma rede de comunicadores(as) populares capaz de disseminar informação de qualidade nos territórios periféricos e favelas do estado, que concentram focos da doença. Numa primeira fase, foram realizadas oficinas com midiativistas e representantes de instituições com a apresentação de técnicas de comunicação aplicadas ao conteúdo sobre a doença. A segunda fase do projeto teve início em 2025, incorporando midiativistas já familiarizados com o tema e influencers digitais para potencializar o alcance da informação em regiões especialmente afetadas pela tuberculose. 

Entre os produtos realizados, criamos uma série de radionovelas que você pode ouvir aqui.